Setembro / outubro de 2007
  • ARTIGO
  • Inovação na indústria automotiva: necessidade de aprender a gastar de forma inteligente
  • Elevado investimento em inovação se traduz na atual performance: a TMED atende mais de 200 estabelecimentos assistenciais de saúde em todo o país e se prepara para ganhar o mercado externo
  • Letícia Costa
Foto: Arquivo pessoal

 

Resultados de um recente estudo, realizado pela Booz Allen Hamilton, sobre inovação sugerem que fatores não monetários podem ser, de fato, os mais importantes determinantes do retorno sobre os investimentos realizados em P&D. Esse estudo baseou-se na análise das 1.000 empresas de capital aberto que mais gastaram com P&D no ano de 2005, e traz à tona alguns fatos importantes sobre o tema inovação. Dentre os vários findings, um dos mais interessantes é a inexistência de correlação entre gastos em P&D e resultados para as empresas em termos de crescimento, rentabilidade e retorno para o acionista. Ou seja, "dinheiro não compra resultados". É importante, porém, salientar que há um efeito escala importante nos gastos com P&D: organizações de maior porte podem investir uma proporção menor de suas receitas que empresas de menor porte; e sem, aparentemente, sofrerem com isso. É interessante também observar que gastar mais não necessariamente melhora o desempenho, mas investir muito pouco é claramente prejudicial ao processo de inovação.

O estudo também sugere que desempenhos superiores ocorrem, na maioria dos casos, em função da qualidade da organização e do processo de inovação, e não do total gasto. Além disso, o estudo mostra que as empresas ainda têm dificuldades em criar — interna e externamente — um ambiente colaborativo para desenvolvimento, que prejudica o desempenho do processo como um todo: a correlação entre gasto e desempenho tende a ser mais forte naquelas áreas diretamente sob controle de P&D, tais como design, e mais fraca em áreas nas quais a colaboração multifuncional é mais difícil como, por exemplo, comercialização.

Os resultados desse estudo são altamente relevantes para a indústria automobilística, uma das que mais investe em P&D, conforme mostrado no Quadro I a seguir. As empresas da indústria automotiva, entre as 1.000 maiores investidoras em P&D, gastaram cerca de US$ 70 bilhões em inovação no ano de 2005. Utilizando uma estimativa conservadora para a extrapolação desses investimentos para a indústria como um todo, chegamos a um total de cerca de US$ 130 a 150 bilhões.

Gráfico 1

Interessante também é observar que seis montadoras (Ford, Toyota, DaimlerChrysler, General Motors, Volkswagen e Honda) estão entre as vinte empresas com maior investimento em inovação, sendo que a lista é liderada pela Ford, que investiu cerca de US$ 8 bilhões em 2005.

Apesar de liderar nos gastos com P&D, a Ford não é considerada como modelo nos processos de inovação. A posição de empresa Classe Mundial em termos de inovação pertence hoje à Toyota, cujo desempenho é, de fato, impressionante: no período entre 1994 e 2007, ela dobrou o número de modelos em produção, mantendo seus gastos em P&D em torno de 4% da receita e reduzindo o número de engenheiros por veículo, mesmo tendo que melhorar a qualidade e a funcionalidade dos veículos e reduzir o time-to-market.

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Revista Conhecimento & Inovação
ISSN 1984-4395

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