Abril / maio / junho de 2010
  • Presidente do CNPq fala sobre impactos e gargalos da produção científica no país
  • Isabela Palhares

O presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Glaucius Oliva, esteve em Campinas para a abertura da 5ª Semana de Pesquisa da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp no dia 6 de maio, e em palestra falou sobre avanços da pesquisa científica e tecnológica no país, mas também sobre os gargalos que podem ser superados para que a ciência brasileira avance e seja mais competitiva. Oliva destacou também a importância da divulgação da ciência que é produzida no Brasil.

Durante a palestra, Oliva fez um resumo sobre a história e os avanços conseguidos ao longo das seis décadas do CNPq, e discutiu os desafios que a ciência brasileira tem pela frente. Ele explicou que os desafios se concentram na fronteira do conhecimento, ou seja, é preciso melhorar a qualidade e o impacto da ciência que se faz no Brasil. Isto implica, entre outras coisas, em conseguir uma maior inserção da ciência na solução dos grandes problemas do país, questão que envolve inovação, transferência de tecnologia e engajamento das empresas.

Oliva defende também uma maior internacionalização da pesquisa brasileira, que, segundo ele, se afastou das ciências de outros países. Por exemplo, as bolsas no exterior concedidas pelo CNPq são cada vez menos procuradas, segundo ele, que diz que “é preciso romper esse isolamento e abrir nossas portas tanto para mandar nossos estudantes para o exterior, como para importar novas ideias e conhecimentos”. Para ele é dessa forma que a ciência nacional se tornará mais competitiva.

Em sua palestra Oliva apresentou dados que mostram que, apesar de a ciência brasileira ser bastante jovem, tem apresentado resultados positivos e surpreendentes. O número de bolsas para doutorandos e mestrandos cresce a cada ano e, segundo ele, o CNPq pretende ampliar ainda mais a sua atuação e afirmou que: “para isso, as universidades precisam ser nossas parceiras e venho acompanhando com interesse as iniciativas da Unicamp nesse sentido. Vivemos uma grande expansão do sistema universitário, com novos campi em quase todas as regiões, mas que precisam de bons exemplos de como fazer ciência de qualidade, com inserção, transmissão de conhecimento, inovação e atração de jovens. Isso, a Unicamp, sem qualquer exagero, tem feito com muita excelência”.

Outro aspecto destacado pelo presidente do CNPq é a importância da comunicação da ciência com a sociedade, o que o órgão espera viabilizar por meio de um grande programa nacional de comunicação social. “Todos os cientistas brasileiros devem perceber que, além de fazer pesquisa e formar gente de qualidade, também é nosso papel comunicar o que é feito para a sociedade que nos financia e apoia. Por isso, as atividades de educação e divulgação científica serão estimuladas e reconhecidas”.

Essa melhor comunicação com a sociedade reflete na legitimidade dos recursos concedidos para conhecimento e inovação. Segundo Oliva, pretende-se uma abordagem bastante ampla, com um plano de comunicação que envolva todas as mídias possíveis – Internet, rádio, TV e, extensivamente, recorrendo a parcerias com as grandes redes de comunicação.

 

 

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Revista Conhecimento & Inovação
ISSN 1984-4395

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