Abril / maio / junho de 2010
  • Petrobras quer crescer em cooperação com universidades e institutos de pesquisa
  • Para gerente-executivo do Cenpes, Carlos Tadeu da Costa Fraga, cooperação é fundamental para inovação
  • Sabine Righetti, de Curitiba


A palestra do gerente-executivo do Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes), Carlos Tadeu da Costa Fraga, durante a X Conferência da Anpei, teve foco nas atividades inovativas recentes da empresa. Mas as perguntas do público, composto por acadêmicos, empresários, gestores e jornalistas de todo o país, concentraram-se praticamente num único tema: o Pré-sal. O interesse pelo assunto é compreensível, na opinião de Fraga: “Estamos falando de um aporte de recursos naturais que não foram descobertos na última década. Hoje, ainda não existe produção de petróleo extraído de rochas como da camada do Pré-sal”, afirmou. E, de acordo com o executivo, o pioneirismo da Petrobras na extração de petróleo superprofundo dependerá de inovação tecnológica - “o maior vetor de sucesso empresarial”.

Estimativas preliminares indicam as descobertas já feitas no Pré-Sal – que vão do sul do Espírito Santo até a costa de Santa Catarina, numa extensão de 800km, - podem conter hidrocarboneto num volume igual a tudo o que a Petrobras concentra em todas as reservas. “Trata-se de dobrar a capacidade da companhia”, ressaltou Fraga. A meta da Petrobras é atingir 1 milhão de barris de óleo extraídos por dia na região do Pré-Sal até 2018.

“E não se desenvolve trabalhos inovadores sem pessoas qualificadas”, reiterou o executivo. Em termos de recursos humanos para inovação, a Petrobras vai bem: são 1.610 funcionários (do total de 55 mil que trabalham na empresa) dedicados à pesquisa e desenvolvimento, sendo 783 pesquisadores, 323 engenheiros e 504 técnicos operando as instalações experimentais.  Dentre os pesquisadores, 48% são mestres e o restante tem doutorado concluído (24%) ou estão cursando doutorado (28%).

Do ponto de vista da capacitação de recursos humanos, as parcerias com universidades e instituições de pesquisas nacionais são fundamentais. Hoje, a Petrobras já trabalha em cooperação com 80 universidades e instituições de pesquisa de 19 Estados do país. “Esses laboratórios catalisam o processo porque formam recursos humanos e possibilitam que testes que antes eram feitos fora do país agora sejam feitos em território nacional”, afirmou.

Fraga disse ainda que a Petrobras tem sido muito procurada por empresas que querem fornecer produtos para a extração no Pré-sal. “Há interesse desde que a relação com os fornecedores não seja estritamente comercial. Queremos fazer mais parcerias com universidades e institutos de pesquisa”, comentou. Um exemplo dessas parcerias está no Parque Tecnológico do Rio, que abriga o Cenpes, dentre outros centros, dentro na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Lá, quatro companhias - Usiminas, Schlumberger, FMC Technologies e Baker Hughes –, estão construindo novos centros tecnológicos com o objetivo de fornecer para a Petrobras, interagindo e cooperando com a UFRJ.

Energias renováveis

Apesar da Petrobras pertencer ao setor de óleo e gás – inclusive foi considerada a empresa mais inovadora do setor recentemente, de acordo com a revista Fortune, – e de estar de olhos focados no Pré-Sal, o investimento em energias sustentáveis integra um dos principais eixos-chave da empresa. A ideia, de acordo com Fraga, é aumentar o mix de produtos, incluindo energia eólica, solar e biocombustíveis – que já representam 3% dos dispêndios em pesquisa e desenvolvimento da companhia (em 2009, os gastos totais com P&D na Petrobras chegaram U$S 35,1 bilhões e, neste ano, ainda devem aumentar em 25%).

“Os investimentos nas energias fósseis é muito maior porque esse é o foco da nossa atividade, mas já sabemos que o custo das energias eólica e solar é razoavelmente competitivo em comparação às demais energias”, comentou o executivo. Ele acredita que muito em breve haverá uma explosão de políticas públicas em todo o mundo voltadas a essas energias.

A X Conferência da Anpei termina hoje, quarta-feira, 28 de abril. Parte das discussões dará base para a IX Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, que acontecerá de 26 a 28 de maio, em Brasília, com o tema "desenvolvimento sustentável".

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Revista Conhecimento & Inovação
ISSN 1984-4395

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