Abril / maio / junho de 2010
  • ONDAS
  • Banda larga no Brasil
  • Patrícia Mariuzzo


Qual seria o impacto econômico e social de termos, em nosso país, acesso universal à internet com alta velocidade e com qualidade? Esta é a pergunta que um grupo de pesquisadores do Ipea tenta responder no artigo “Banda larga no Brasil – por que ainda não decolamos?”, publicado no boletim Radar, disponível no site do Instituto. Para Rodrigo Abdala Filgueiras de Sousa, João Maria de Oliveira, Luis Claudio Kubota e Márcio Wohlers de Almeida, mais do que investimentos em infraestrutura, é preciso considerar por exemplo, uma política de desenvolvimento que permita a inserção de nossa indústria na produção de equipamentos e materiais a serem utilizados na chamada última milha, que leva a internet do núcleo da rede até as casas das pessoas. Além disso, um plano de expansão de banda larga deve prever desde a capacitação de pequenos provedores de serviços diversos até políticas de crédito específicas, que possibilitem a geração de emprego e renda com esses novos empreendimentos.

Em todo o mundo tem havido investimentos para aumentar o acesso à banda larga. O Brasil tem 10,1 milhões de acessos fixos de banda larga — uma densidade de 5,8 acessos por 100 habitantes. Estes números atestam a distância que estamos em relação aos demais países da OCDE, onde a densidade de acessos é de 22,4 por 100 habitantes. Outro aspecto desfavorável aqui é o preço: as pessoas que têm internet banda larga pagam em torno de R$ 162, enquanto os internautas dos 32 países da OCDE pagam US$ 22,25, em geral, para um sinal mais rápido do que o oferecido pelas operadoras brasileiras.

“O mercado de serviços de acesso fixo de banda larga, notadamente dependente da estrutura de telefonia fixa, distingue-se por uma estrutura oligopolista formada por duas ou três prestadoras de serviços nas capitais e em grandes municípios”, dizem os pesquisadores. “Nos demais municípios o serviço se caracteriza por um regime de monopólio operado pela concessionária do Serviço Telefônico Fixo Comutado (STFC)”, completam. É desse modelo que resultam as limitações ao crescimento de oferta de banda larga: preço, qualidade, cobertura e taxa de transmissão (velocidade).

Infraestrutura existe, mas precisa de aperfeiçoamento

De acordo com o artigo do Ipea, as prestadoras possuem, em conjunto, mais de 90 mil quilômetros de fibra óptica instalada no país, formando o chamado backbone (núcleo central de transmissão do sinal para acessar a rede) – com capacidade suficiente para todo o tráfego de dados para a internet. “Acreditamos que apenas usando a infraestrutura existente seria possível promover uma cobertura muito mais ampla para o serviço de banda larga”, afirma o grupo de pesquisadores. Segundo eles o que falta é modernizar essa infraestrutura para aumentar a velocidade do tráfego de dados. Agora, se por um lado há infraestrutura instalada e, por outro, há demanda reprimida, por que então a densidade de serviço é tão baixa? “Para se chegar ao nível desejado de densidade, haveria uma compressão das receitas do serviço: o faturamento das empresas se reduzirá a 80% do atual”, dizem. Além disso, seria necessário fazer investimentos para a conversão da rede de telefonia fixa para banda larga e também arcar com os custos de manutenção dessa rede. O texto do artigo é categórico: à medida que a densidade do serviço de banda larga avança, aumenta a erosão das receitas dos serviços de telefonia fixa e móvel. “As simulações indicam portanto que, sem ações externas, o mercado de banda larga não chegará ao patamar de densidade socialmente desejado”, concluem.

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Revista Conhecimento & Inovação
ISSN 1984-4395

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