Abril / maio / junho de 2010
  • ONDAS
  • Novas Alexandrias
  • Patrícia Mariuzzo


No início do século III a.C., durante o reinado de Ptolomeu II do Egito, foi organizada aquela que foi considerada uma das maiores referências culturais da Antiguidade: a Biblioteca de Alexandria, cidade que fica ao norte do Egito, situada a oeste do delta do Rio Nilo, às margens do mar Mediterrâneo. Estima-se que a biblioteca tenha armazenado mais de 400.000 rolos de papiro, podendo ter chegado a 1.000.000 e que continha livros que foram levados de Atenas. Ela se tornou um grande centro de comércio e fabricação de papiros. A criação da Biblioteca de Alexandria tinha como o principal objetivo preservar e divulgar a cultura.

2010 encerra a primeira década do século XXI, década que, sem sombra de dúvida, consolidou a internet como tecnologia fundamental, que mudou e continua mudando a relação do homem com o mundo. O casamento entre novas tecnologias e o mundo da cultura tem gerado várias iniciativas que tentam reviver o sonho de Alexandria, de criar e disponibilizar acervos sobre a cultura mundial. Uma das primeiras aconteceu em 2004, quando a empresa Google lançou o Google Book Search, que hoje disponibiliza 7 milhões de obras, maior acervo digital de que se tem conhecimento. O projeto gerou uma verdadeira batalha judicial para a empresa por conta da violação de direitos autorais de autores e editores. Hoje, alguns livros estão disponíveis para download completo. Em alguns casos, o usuário pode ver apenas 20%, mas tem opção de pagar para ver a obra inteira. Sem se intimidar com as reações contrárias a Google promete para este ano o lançamento na Europa de seu serviço Edições Google, que permitirá baixar livros inteiros pelo telefone celular ou em qualquer leitor digital.

Outro projeto que se inspirou em Alexandria é a biblioteca Europeana, capitaneado pela União Europeia. Lançada em 2008, ela já permite acesso a 4,6 milhões de livros, filmes, pinturas, fotografias, arquivos de áudio, manuscritos e jornais de bibliotecas europeias. Um dos principais focos dessa biblioteca virtual são obras raras, antigas ou esgotadas. Entre as obras que podem ser lidas remotamente por qualquer pessoa (é necessário fazer um cadastro) está a Divina Comédia, do italiano Dante Alighieri ou manuscritos de Beethoven e Mozart.

Sem barreiras

Entre as últimas iniciativas de peso está a da Unesco, braço cultural da ONU, que, em abril do ano passado, em parceria com 32 instituições, lançou oficialmente a Biblioteca Digital Mundial (WDL, na sigla em inglês). A biblioteca virtual reúne mapas, textos, fotos, gravações e filmes de todos os tempos. O diferencial são explicações em sete idiomas: árabe, chinês, inglês, francês, russo, espanhol e português. Segundo o coordenador do projeto, Abdelaziz Abid, tem um caráter patrimonial, o que significa que a biblioteca não oferecerá documentos correntes, como faz a Google, mas aqueles com valor de patrimônio, que permitirão conhecer as culturas do mundo. Por isso, além dos sete idiomas, há documentos em mais de 50 outras línguas, desde alguns códices pré-colombianos, contribuição mexicana, a um documento japonês publicado no ano 764, o Hyakumanto darani, considerado o primeiro texto impresso da história. Uma das regiões bem representadas é a América Latina, graças a parceria com a Biblioteca Nacional, no Brasil, que tem vários outros projetos de digitalização de acervo em andamento. Angela Monteiro Bettencourt, coordenadora de informação bibliográfica da Fundação Biblioteca Nacional, vê o sonho da Biblioteca de Alexandria cada vez mais próximo de ser realizado com essas iniciativas. “Fora o Google, que tem um interesse comercial, todos os outros projetos refletem missões institucionais de bibliotecas nacionais no sentido da disseminação e do acesso aos documentos e à informação”, diz.

Serviço

Google Book Search - http://books.google.com.br/
Europeana - http://dev.europeana.eu
Biblioteca Digital Mundial - http://www.wdl.org
Biblioteca Nacional - http://www.bn.br
Biblioteca do Congresso - http://www.loc.gov


 

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Revista Conhecimento & Inovação
ISSN 1984-4395

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