Abril / maio / junho de 2010
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  • Nanocore conquista importante prêmio nacional
  • Maria Claudia Miguel
Uma fatia de 33% da empresa é formada por pós-graduados
Foto: Divulgação


Pela capacidade de inovação e destacados indicadores de produtividade, a Nanocore Biotecnologia, instalada no Condomínio Technopark, em Campinas, encerrou 2009 com chave de ouro: foi considerada a “Melhor Empresa Graduada” na mais concorrida categoria do Prêmio Nacional de Empreendedorismo Inovador, promovido pelas entidades Anprotec (Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores), Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), MCT (Ministério da Ciência e Tecnologia), Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) e CNI (Confederação Nacional da Indústria). Ao todo, 46 instituições entre incubadoras, parques tecnológicos e empresas concorreram a essa relevante premiação do segmento.

A Nanocore é uma empresa privada, de base tecnológica, que atua na pesquisa e desenvolvimento de novos produtos, baseados em plataformas de biotecnologia e nanotecnologia voltadas para o bem-estar e saúde humana e animal.

Foi fundada em 2003, a partir de projetos acadêmicos dos sócios fundadores, José Maciel Rodrigues Júnior e Karla de Melo Lima, que, acreditando no potencial de mercado de suas tecnologias, apostaram no sistema de incubação. A empresa iniciou suas atividades no campus da Universidade de São Paulo, na Incubadora Supera, em Ribeirão Preto (SP). Graduou-se em 2006 e, desde então, vem atuando em diferentes campos de pesquisa.

Atualmente, investe em projetos de desenvolvimento de medicamentos antitumorais e métodos diagnósticos mais efetivos e rápidos de interesse na saúde humana e no agronegócio. “A maior parte de nossos projetos é baseada em tecnologia recombinante e em nanotecnologia. Além disso, a empresa está altamente capacitada para desenvolvimento de métodos bioanalíticos”, destaca Maciel.

Uma fatia de 33% da empresa é formada por pós-graduados, incluindo mestres e doutores, e conta com 42 colaboradores. “Nos últimos 12 meses foram investidos quase R$ 3 milhões em infraestrutura”, lembra Maciel, citando ainda a estreita relação que a empresa mantém com grupos de pesquisa das Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs), como fator relevante para a excelência de qualidade.

Das bancadas das universidades

Projetos surgidos das bancadas da universidade se tornaram referência por meio da Nanocore. Maciel cita os estudos baseados na produção de biomoléculas com interesse terapêutico e para a produção de vacinas. “Nas universidades chegamos a moléculas candidatas, mas sem o domínio para a produção. Com a criação da empresa investimos fortemente nessa capacitação e hoje somos capazes de produzir biomoléculas em condições de boas práticas de fabricação, item essencial para se ter êxito no desenvolvimento de um medicamento”.

São projetos de hormônios recombinantes e de moléculas antitumorais, como a proteína de choque térmico hsp65 e imunotoxinas, capazes de guiar uma molécula tóxica seletivamente a células alvo. “Nossa competência para desenvolvimento de métodos diagnósticos despertou o interesse de empresas do setor, e desenvolvemos alguns métodos que hoje são únicos no Brasil e de grande interesse no diagnóstico e acompanhamento sorológico de vacinas para animais de produção”, diz Maciel.

A Nanocore mantém programas de estágio e convênios com a Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Além disso, também financia pesquisadores em universidades que tenham projetos de interesse da empresa. “Buscamos sempre ter uma grande aproximação com os centros de excelência”, conclui.

Para 2010, o principal projeto está voltado ao funcionamento da área de produção de biomoléculas, que, segundo o diretor da empresa, é essencial para a conclusão dos estudos da Nanocore. Segundo Maciel, trata-se de uma área única no Brasil, quando se pensa na iniciativa privada, e que permitirá a produção de lotes pilotos de biomoléculas complexas em condições de boas práticas de fabricação. O projeto irá ocupar 600 m2 de área construída, sendo 200 m2 de área classificada, chamada também de área limpa, ou seja, livre de qualquer tipo de contaminação.

Paralelamente a esses avanços, a Nanocore investiu fortemente no seu programa de qualidade, e implementou o sistema de gestão de qualidade, responsável pela implantação do programa de acreditação em boas práticas de laboratório e ISO 17025. “Com isso, temos um selo de qualidade e vamos investir na execução desses estudos, principalmente de farmacocinética que, de um lado, vai viabilizar o desenvolvimento de nossos produtos, e, de outro, abre a oportunidade de também oferecer serviços com o selo de qualidade. Estamos com uma grande expectativa para os próximos anos. Chegou o momento de colher os resultados de seis anos de investimentos”, completa o diretor da Nanocore.

Referência no segmento

Em 2006, focada na ampliação e otimização de suas atividades, a Nanocore mudou-se para o Condomínio Technopark em Campinas, um importante polo de empresas de base tecnológica, e região onde há uma grande concentração de empresas farmacêuticas, oferta de pessoal altamente qualificado e de serviços especializados, além de uma logística privilegiada. No mesmo ano, após o licenciamento de suas atividades pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a Nanocore viu seu número de clientes multiplicar-se de forma exponencial, atuando em diferentes fases do desenvolvimento de produtos voltados ao agronegócio. Em 2007, atraiu o interesse do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para investir na compra de ações da empresa por meio do BNDESPAR, passando à denominação de Nanocore Biotecnologia S/A, sociedade anônima de capital fechado. Desde então, vem investindo intensivamente em sua infraestrutura e no treinamento de pessoal a fim de consolidar-se como uma referência para o desenvolvimento de bioprodutos.


 

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Revista Conhecimento & Inovação
ISSN 1984-4395

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