Abril / maio / junho de 2010
  • ONDAS
  • Sociedade da informação avança no Brasil
  • Patrícia Mariuzzo


Há várias formas de medir o impacto da crise financeira detonada em outubro de 2008 a partir da derrocada do setor imobiliário nos Estados Unidos e que se espalhou por todo o planeta. Um desses indicadores é o tamanho do setor de tecnologia da informação e telecomunicações de um país. Um estudo da Everis, consultoria em tecnologia da informação, aponta o Brasil como país de maior destaque nesse setor na América Latina. A pontuação brasileira chegou a 4,44, apresentando aumento de 0,8%, enquanto o resto da América Latina teve retração de 1,2% de acordo com o relatório “Indicador da Sociedade da Informação (ISI)”, realizado pela Everis em parceria com a IESE Business School, na Espanha. O período analisado foi o terceiro trimestre de 2009 (um ano após início da crise).

Segundo Teodoro López, vice-presidente da Everis Brasil, o indicador teve seu segundo máximo histórico. “Isso prova que o Brasil foi um dos países que menos sentiu os efeitos da crise e continuou progredindo nesse setor, ao contrário do que foi observado nos demais países analisados”, diz. Ainda de acordo com ele, o estudo permitiu observar que existe grande desigualdade de acesso à tecnologia entre as regiões do país e isso faz a pontuação cair em relação a outros países. De todo modo o ISI mostra que a sociedade da informação está avançando mais rápido no Brasil do que no conjunto da América Latina. Há cinco anos esse índice era mais de 10% inferior à média regional, agora é apenas 1,1% menor e a previsão é de que, em um ano, essa diferença seja reduzida a zero. Essa é a opinião de Diego Barceló, pesquisador do IESE Business School e co-autor do ISI. “Ainda que falte muito para progredir, creio que vale ressaltar, por exemplo, a expansão da quantidade de computadores – 243 unidades para cada mil pessoas – número superado apenas pelo Chile”, conta Barceló. Outro dado informado por ele refere-se à venda do varejo online, estimadas em US$ 41 por brasileiro, diante da média regional de US$ 29.

Uma área que parece estar blindada é a de venda de celulares. Em 2009, segundo o estudo da Everis, o número de telefones móveis chegou a 836 aparelhos para cada mil pessoas, um avanço de 17,3%, o segundo mais elevado depois do Peru. A área mais afetada pela crise foi a dos serviços TIC que, em dólares anuais por habitante, caiu 10,2%. O Brasil também apresentou queda na pontuação na área social como consequência do aumento da taxa de desemprego e também da desaceleração da atividade econômica (o crescimento médio do PIB caiu de 5,6% para 3,5%). Segundo o ESI, relatório complementar ao ISI, que compreende aspectos econômico, institucional, social e infraestrutura, o Brasil é um dos países em que o armazenamento de capital fixo por habitante cresce em ritmo mais lento.

Otimismo

As projeções para o terceiro trimestre de 2010 são otimistas. Para os pesquisadores espanhóis, o indicador brasileiro deve alcançar uma qualificação média de 4,54 pontos, um aumento anual de 2,3%, configurando o melhor resultado entre os países analisados: Argentina, Chile, Colômbia, México e Peru.

O estudo

O ISI é um relatório trimestral, desenvolvido pela Everis, que avalia os avanços da tecnologia da informação, das telecomunicações e do ambiente da sociedade de informação. O estudo definiu que todas as variáveis flutuariam entre um valor mínimo unitário e um valor máximo de 10. O estudo utiliza diversas fontes, por exemplo, de outras consultorias como a Gartner, dados de ministérios da economia dos países avaliados, Banco Mundial, Unesco, FMI, Bancos Centrais, JP Morgan e outros. A Everis é uma consultoria multinacional na área de negócios e tecnologia da informação e o IESE é uma escola de negócios da Universidade de Navarra, na Espanha. Em 2009 foi eleita a melhor escola de negócios do mundo em programas MBA pela Economist Intelligence Unit, de Londres.


 

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Revista Conhecimento & Inovação
ISSN 1984-4395

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