Abril / maio / junho de 2010
  • PÍLULAS
  • Inovação é o motor do marketing da Apple
  • Clayton Melo
Jaime, do grupo Troiano de Branding
Foto: Divulgação


A Apple é um dos grandes ícones de inovação da atualidade. Fundada no início da década de 1980, a empresa adentrou o século XXI disposta a fixar de vez seu nome na lista das organizações que fazem parte da história. Um dos passos decisivos para isso foi dado em 2001, quando lançou o iPod, tocador de música digital que redefiniu uma categoria de produtos. Em 2006, a companhia abalou o mercado com o iPhone, um smartphone extremamente fácil de manusear que reúne as funções do iPod, câmera digital, internet e voz e um design elegante.

Em sintonia com a estratégia de desenvolvimento de produto está a postura de marketing e relações públicas. Enquanto os concorrentes despejam milhões de dólares em propaganda a cada lançamento, a Apple atualmente não privilegia campanhas publicitárias.

Uma das armas mais poderosas para criar o desejo em torno de sua marca e seus produtos é a geração de boatos em torno de equipamentos muito antes de serem lançados. As apresentações dos produtos, como a do iPad, em janeiro, fazem parte de campanhas maiores e coordenadas. Para entender melhor como funciona a estratégia de sedução da Apple e o que o investimento em inovação tem a ver com isso, ouvimos o consultor de marcas Jaime Troiano, presidente do Grupo Troiano de Branding. Com trabalhos realizados para clientes como Microsoft, Unibanco e Procter & Gamble, Troiano é um dos principais especialistas no assunto no Brasil.

Por que a Apple é considera uma referência em inovação e qual a relação disso com a construção da marca da empresa?

A Apple representa uma nova escola que segue em paralelo à escola das marcas tradicionais. Ela simboliza um novo paradigma na construção de marcas. O que é maravilhoso é que ela tem um conceito de desenvolvimento de produto único, poderoso, capaz de alimentar a nossa propensão a falar das coisas novas. Ela se aproxima de uma visão de ruptura para disseminar a si mesma. É por isso que ela pode dispensar a comunicação clássica, baseada em altos investimentos em publicidade.

Como funciona essa dinâmica?

Para ilustrar, pense que 2,5% da sociedade é inovadora por natureza. Esses 2,5% são fundamentais para gerar nos demais o desejo de acompanhá-los. A Apple se vale desse grupo dos inovadores para criar o desejo em torno de sua marca. Tive a oportunidade de ver há pouco tempo em Denver, nos EUA, uma máquina de vender iPod, parecida com essas que vendem refrigerantes. Quando um iPod é comercializado como se fosse um salgadinho ou um refrigerante, é sinal de que a empresa ultrapassou a barreira desses 2,5% de que falei. Ela já atraiu um grupo muito maior.

Qual a importância dos rumores e boatos em torno de produtos na estratégia da Apple? Eles seriam alimentados pela companhia?

Sem dúvida. Isso funciona porque o que é sugerido é mais provocante do que aquilo que revela. Ela deixa a imaginação pensar o que vem depois. Esse recurso também é importante para esvaziar o concorrente, que poderia desenvolver algo parecido com o que ela pretende fazer. E também porque ela tem muita segurança em seu produto. A Apple é a grande escola moderna na área de tecnologia.

Quem somos | Vendas e assinaturas | Publicidade | Fale conosco

Revista Conhecimento & Inovação
ISSN 1984-4395

Realização: