Abril / maio / junho de 2009
  • Mesa redonda discute a inovação e o papel da universidade
  • Érica Guimarães

Para debatedores, há espaço para pesquisa direcionada à inovação e para pesquisa acadêmica

"Hoje estamos sem gravata. Estamos inovando". Foi assim que, em Manaus, a uma temperatura a 35 graus, teve início a fala do presidente da Fundação de Amparo a Pesquisa de Santa Catarina (Fapesc), César Zucco, na mesa redonda"Formação de especialistas e mão-de-obra científica voltada à inovação: perspectivas globais e regionais" realizada ontem (13), na SBPC. A mesa contou com a apresentação de Celso Pinto de Melo e, como debatedores, Zucco e Alaor Chaves, físico e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Alguns elementos são essenciais para que o processo de inovação tecnológica, que consiste na introdução de uma novidade ao ambiente produtivo, tenha fluxo na esfera educacional. Zucco destaca a gestão, a cooperação e o financiamento como elementos importantes para que a inovação se desenvolva. "Não se fala em desenvolvimento, sustentabilidade e futuro se não falar em inovação", diz. Ao falar sobre a formação de recursos humanos para o ambiente inovativo, Zucco atentou para a falta de engenheiros disponíveis no mercado. De acordo com ele, os cerca de 40 mil novos engenheiros que se formam todos os anos não são suficientes para atender a demanda: "Quanto mais crescimento e desenvolvimento, mais engenheiros são necessários". Já na pós-graduação, Zucco sugere o aproveitamento de grandes ideias em teses e dissertações para grandes inovações. Para ele, o pós-graduando em engenharia, na maioria das vezes, não cogita ou não tem espaço para a indústria. O doutorado deveria ser visto de forma positiva pela indústria, mas que o desempenho da inovação não caminha com a dimensão da indústria econômica brasileira. 

Inovação polêmica
O termo inovação no meio acadêmico assusta alguns pesquisadores e gera muitos opositores que consideram que à universidade cabe a geração de conhecimento e às empresas cabe a inovação. Zucco acredita que há espaço tanto para a pesquisa direcionada, voltada para a inovação, quanto paraa pesquisa acadêmica: "Ambas devem ser apoiadas com fontes distintas de financiamento", diz. "Uma solução, seria desenvolver nas universidades uma cultura de inovação sem a redução da qualidade", acrescenta Zucco. Esta formação direcionada poderia ser aplicada no processo pedagógico de difusão de conceitos e seria uma oportunidade de mudar a mentalidade de alunos, professores e estâncias divisórias, como um complemento ao ensino.

Alaor Chaves, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e membro da Sociedade Brasileira de Física (SBF), falou enfaticamente sobre a importância de desenvolver nos alunos a multidisciplinaridade. Ele acredita que a escolha da profissão nos moldes atuais do Brasil, em que o aluno a faz com 17 ou 18 anos, se torna pouco qualificada para a inovação e criação. Para Chaves as empresas buscam profissionais com formação ampla e sólida, mas também pessoas que tenham a capacidade de se relacionar com equipes multidisciplinares. Chaves chama a atenção para alguns prêmios Nobel. Nove químicos, 33 biólogos e 2 farmacologistas já ganharam o Nobel de medicina. Fora do Brasil a prática da dupla formação, ou seja, se formar em duas graduações sem aparente conexão, como matemática e psicologia, é comum. Aqui no Brasil, de acordo com Chaves, a cada ano aumenta o número de estudantes que mudam de área ao ingressar na pós graduação.

 Érica Guimarães, de Manaus, Agência Secretaria de Ensino Superior.

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Revista Conhecimento & Inovação
ISSN 1984-4395

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