Abril / maio / junho de 2009
  • ÍNDICE BRASIL
  • A importância das pequenas e médias empresas para a inovação*
  • Edmundo Inácio Júnior, André Furtado, Silvia Angélica Domingues e Edilaine Venancio Camillo


Dando continuidade à série de artigos publicados nesta revista sobre o Índice Brasil de Inovação (IBI) este artigo aborda a importância das pequenas e médias empresas para o Sistema Brasileiro de Inovação (SBI). As respostas à pergunta “Por que estudar as PMEs? E, em particular, as inovadoras” pode ser respaldada pela análise de dois pontos distintos, porém interligados. O primeiro, de ordem econômica, na qual o estímulo à criação de PMEs é visto como uma das respostas para as altas taxas de desemprego e estagnação econômica e, o segundo, relacionado ao desenvolvimento tecnológico, que evidencia a crescente importância das PMEs no processo de geração e difusão das inovações.

As PMEs (empresas de até 250 empregados) eram, em 2005, segundo dados do IBGE, 99% das empresas industriais brasileiras, respondiam por 56% dos empregos e geravam aproximadamente 24% do valor bruto da produção industrial, conforme mostra a Tabela 1. Ao se efetuar uma comparação dos números brasileiros com o dos países membros da União Europeia, para o ano de 2001, percebe-se que a proporção de PMEs era praticamente a mesma. No entanto, as PMEs da União Europeia respondiam por aproximadamente 72% dos empregos e as brasileiras por apenas 56%. Com relação à participação na receita líquida, a discrepância era ainda maior, a participação das PMEs europeias (61%) era mais de duas vezes superior à das brasileiras (24%).

Se por um lado, é preocupante e pouco expressiva a contribuição econômica no valor adicionado pelas PMEs brasileiras à economia, por outro, descortina-se um grande potencial a ser explorado, caso essas empresas aumentem sua fatia de contribuição. Nesse aspecto, tanto a teoria quanto os estudos empíricos evidenciam que a inovação tecnológica é um fator-chave para a competitividade das empresas e dos países. Portanto, o engajamento das empresas em atividades de cunho tecnológico é uma das formas mais efetivas de se aumentar a competitividade e a produtividade.

A situação vivida pelas PMEs na dimensão tecnológica guarda muita semelhança com a encontrada na dimensão econômica, ou seja, uma grande quantidade de PMEs com pouca propensão a inovar, tendo como resultados baixos índices de desempenho inovativo e esforços tecnológicos realizados, sendo caracterizadas como um dos pontos frágeis do SBI. Conforme mostra a Tabela 2, comparando-se o Brasil a alguns países da OCDE — relativamente semelhantes com relação a estrutura industrial, em termos de número de empresas, tamanho das empresas por faixas de pessoal ocupado, concentração industrial e composição industrial —, a taxa de inovação das grandes empresas industriais brasileiras (72%) se encontra em uma posição mediana em relação às taxas de inovação dos países da OCDE, podendo-se citar, por exemplo, Alemanha (89%), França (78%), Espanha (72%), Polônia (67%) e Grécia (63%).

Já as PMEs industriais brasileiras (de 10 a 49 e de 50 a 249) apresentam uma diferença significativa para menos, na introdução de inovações tecnológicas, comparadas às grandes empresas. Entre os países com estruturas semelhantes, o que mais se destaca é a Alemanha com taxas de inovação de aproximadamente 58% e 74% para as PMEs, contra os 29% e 46%. Com relação aos demais, a taxa de inovação das PMEs brasileiras está em níveis compatíveis aos europeus.

Deixando-se de lado as diferenças entre os países e olhando-se para as taxas de inovação por tamanho da empresa, dois importantes padrões emergem. O primeiro é que à medida que o porte das empresas aumenta, a distância relativa do Brasil com relação aos primeiros colocados cai, ou seja, as grandes empresas brasileiras possuem um desempenho melhor comparativamente às pequenas e médias, em relação a suas contrapartes europeias. A segunda constatação que se chega é a existência de uma clara associação entre a taxa de inovação das pequenas empresas e a taxa de inovação total. Essa relação é forte, positiva, e estatisticamente mais significativa do que qualquer uma das outras duas relações entre as taxas de inovação das médias e grandes empresas em relação à taxa de inovação total. Isso implica em dizer que a taxa de inovação total é fortemente dependente da taxa de inovação das pequenas empresas e que, qualquer esforço que se queria implementar tendo como objetivo tornar o Brasil um país mais inovador, deveria levar em consideração a questão: como tornar a pequena empresa mais inovadora?

Tomamos como exemplo os dados contidos na Tabela 3 que traz uma simulação do impacto que teria o aumento no número de empresas inovadoras (taxa de inovação), segundo classe de pessoal ocupado, na taxa de inovação total brasileira. Para fins ilustrativos, duas estão apresentadas. Uma com um aumento de 10 pontos percentuais sobre as respectivas taxas atuais e outra com um aumento de 25%. Fica evidente o maior efeito que uma política de CT&I voltada mais às PMEs traria. É importante ainda salientar que, infelizmente, o Brasil não possui estatísticas nacionais sobre inovação para as empresas de até 9 pessoas ocupadas e que representam 79% das empresas industriais brasileiras. Políticas para essas empresas trariam um efeito ainda maior sobre a taxa de inovação brasileira.

Em síntese, as PMEs são atores importantes do SBI, principalmente pelo grande potencial inovador e econômico a serem desenvolvidos. Aliado a isso, soma-se a escassez de estudos acerca de como as inovações acontecem nas empresas com até 9 pessoas ocupadas. Seria importante fomentar e desenvolver as PMEs de modo que uma parcela cada vez maior delas esteja engajada em atividades inovativas, para que essas possam, por exemplo, unirem-se às estatísticas das empresas inovadoras e de base tecnológicas (EBTs), essas últimas sendo ainda muito incipientes no cenário nacional.

Edmundo Inácio Jr., André Furtado, Silvia Angélica Domingues e Edilaine Camilo são pesquisadores do Departamento de Política Científica e Tecnológica, do Instituto de Geociências, da Unicamp.

Nota

* Dados extraídos da tese de doutorado de Edmundo Inácio Júnior intitulada “Padrões de inovações em pequenas e médias empresas e suas implicações para o desempenho inovativo e organizacional”.

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Revista Conhecimento & Inovação
ISSN 1984-4395

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