Janeiro / fevereiro / maro de 2009
  • ÍNDICE BRASIL
  • A ampliação dos recursos humanos em P&D na indústria brasileira
  • Silvia Angélica Domingues, André Furtado e Sabine Righetti


Diante da necessidade de expandir as atividades de inovação, as empresas industriais presentes no Brasil têm aumentado seu esforço tecnológico ampliando o quadro de pessoas ocupadas em pesquisa e desenvolvimento. A intensidade de pessoas ocupadas em P&D na indústria nacional passou de 0,73% em 2003 para 0,74% em 2005 e, na indústria de transformação, de 0,72% para 0,78%, respectivamente. Mais do que isso, alguns setores da indústria de transformação investiram mais na contratação de pessoas com alto nível de qualificação, ou seja, com mestrado ou doutorado.

Em números absolutos, os doutores empregados em P&D nas empresas inovadoras da indústria de transformação brasileira passaram de 681 em 2003 para 1.189 em 2005, enquanto os mestres ocupados em atividades de P&D passaram de 2.387 para 3.132, respectivamente, em 2003 e 2005 (tabela 1) Os setores dessa indústria que mais empregaram doutores e mestres, nas empresas que introduziram inovações de produto e/ou processo, foram o químico, o de equipamentos médicos-hospitalares, o de produção e refino de petróleo, o de produtos alimentícios e bebidas e o de material eletrônico e de aparelhos e equipamentos para comunicações. Isso revela que, na indústria brasileira, há uma grande diversificação, em termos absolutos, dos recursos humanos mais qualificados em setores de média, alta e baixa intensidade tecnológica, comportamento este diferenciado de países mais desenvolvidos onde há uma concentração em setores mais intensivos em tecnologia. Esse comportamento, de setores como petróleo e alimentos, é coerente com a maior vocação da indústria brasileira para setores mais maduros tecnologicamente.

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O setor de máquinas e equipamentos para informática e de artigos de borracha e plástico, contudo, foram contra a tendência e apresentaram uma queda expressiva no número de doutores e mestres ocupados em P&D.

O aumento do esforço tecnológico da indústria de transformação nacional também é notável pelo aumento do emprego de graduados em atividades de P&D, pois vinte, dos vinte e três setores analisados, ampliaram seu quadro de funcionários com nível de graduação ocupados nessas atividades.

A tabela 2 indica a intensidade de recursos humanos em P&D dos setores que mais empregaram doutores e mestres nos anos 2003 e 2005. A intensidade de doutores na indústria de transformação dobrou de 2003 (0,01%) para 2005 (0,02%). O setor de equipamentos médico-hospitalares, precisão e ópticos apresentou o maior crescimento na intensidade de doutores e de mestres ocupados em P&D e se destacou em 2005 (0,21%). Também apresentaram aumento na intensidade os setores de refino de petróleo e álcool, produtos químicos, material eletrônico e aparelhos e equipamentos para comunicações.

De um modo geral, entretanto, observa-se que o emprego de doutores e mestres nas empresas dos setores industriais brasileiros é baixo se comparado ao de graduados. Alguns dos mais expressivos setores de alta tecnologia apresentaram um comportamento pouco favorável. O setor aeronáutico (incluído em: Outros equipamentos de transportes), em que o Brasil detém posição de destaque, possui um percentual de doutores muito baixo e o setor de informática acusou um expressivo decréscimo em seu número de doutores.

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Os resultados encontrados, então, podem significar uma intensificação das atividades de P&D no setor industrial, além de, consequentemente, uma disseminação da cultura da inovação nas empresas nacionais e estrangeiras instaladas no Brasil. Esse fenômeno pode contribuir para uma absorção, cada vez maior, de profissionais qualificados nas empresas e para uma melhoria da posição do Brasil em indicadores internacionais de P&D. Ainda assim, ele fica aquém do potencial do país que forma 10 mil doutores por ano em mais de 2 mil programas de pós-graduação. Dessa forma, nota-se que, apesar dos resultados positivos, a valorização do profissional altamente qualificado pelo setor industrial brasileiro ainda pode ser considerada baixa.

Silvia Angélica Domingues, André Furtado e Sabine Righetti são pesquisadores do Departamento de Política Científica e Tecnológica do Instituto de Geociências da Unicamp.

I Representa a relação entre o número de pessoas ocupadas em P&D e o total de pessoas ocupadas na indústria.

II Em equivalente tempo integral.

Errata - A versão correta da tabela com o número de registros e depósitos de patentes, constante no artigo "Setores de média intensidade em P&D depositam mais patentes", publicado na versão impressa da última edição da revista Conhecimento & Inovação, pode ser visualizada aqui no site, no endereço: http://www.conhecimentoeinovacao.com.br/materia.php?id=200

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Revista Conhecimento & Inovação
ISSN 1984-4395

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