Outubro / novembro / dezembro de 2008
  • ÍNDICE BRASIL
  • Setores de média intensidade em P&D depositam mais patentes
  • André Furtado e Edilaine V. Camillo


O novo levantamento de dados de propriedade intelectual realizado para elaboração da segunda edição do Índice Brasil de Inovação (IBI) reitera a tendência já observada na primeira edição do Índice: os setores com intensidade intermediária em P&D são os que detêm a maior quantidade de patentes no país em termos absolutos, bem como os Indicadores de Patentes (IP) mais expressivos em relação à média da indústria.

Com vistas a captar de forma mais fidedigna os resultados das atividades inovativas realizadas no país recentemente, e reduzir a defasagem de aproximadamente cinco anos entre o depósito de uma patente e a concessão da mesma pelo Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI), a base empregada na construção do Índice abrange uma década anterior ao período considerado pela Pesquisa de Inovação Tecnológica (Pintec), do IBGE.  Para a primeira edição, o período utilizado foi o de 1994-2003, referente à Pintec-2003, e para a segunda, 1996-2005, correspondente à Pintec-2005, sendo computados os registros de todos esses anos e os depósitos dos três últimos anos (2001-2003 e 2003-2005).

Considerando a classificação de intensidade tecnológica da OCDE, verifica-se, a partir da tabela acima, que entre registros e depósitos há, com exceção do setor de instrumentação e automação, uma ausência de setores de alta intensidade tecnológica. Entre os 10 setores com maior número de registros ou depósitos de patentes entre 1996-2005 estão setores de média alta intensidade tecnológica, representados por máquinas e equipamentos, automóveis, químico e material elétrico e de média intensidade tecnológica, como os setores petróleo e álcool, borracha e plástico, metalurgia básica e produtos de metal.

Registros (1996-2005)
Depósitos (2003-2005)
Ord
Divisão
Descrição da Divisão
Patentes
Empresas
Ord
Divisão
Descrição da Divisão
Patentes
Empresas
1
29
Máquinas e equipamentos
855
260
1
29
Máquinas e equipamentos
1064
376
2
25
Artigos de borracha e plástico
367
131
2
25
Artigos de borracha e plástico
389
196
3
34
Veículos, reboques e carrocerias
264
69
3
28
Veículos, reboques e carrocerias
360
170
4
27
Metalurgia básica
261
42
4
24
Metalurgia básica
345
150
5
28
Produtos de metal
255
122
5
36
Produtos de metal
254
119
6
23
Refino de petróleo e álcool
219
2
6
23
Refino de petróleo e álcool
214
1
7
24
Fabricação de produtos químicos
211
87
7
31
Fabricação de produtos químicos
207
101
8
36
Móveis e indústrias diversas
141
62
8
34
Móveis e indústrias diversas
203
83
9
13
Extração de minerais metálicos
131
6
9
27
Extração de minerais metálicos
166
51
10
31
Máquinas, aparelhos e materiais elétricos
107
49
10
33
Máquinas, aparelhos e materiais elétricos
139
69

Fonte: Elaboração própria equipe IBI a partir de informações do INPI e do IBGE
* Os dados incluem as patentes de invenção, de maior conteúdo tecnológico, e os Modelos de Utilidade, que são aperfeiçoamentos de bens existentes.

Esse contexto contribuiu para o que o setor químico avançasse três posições na quantidade de depósitos em relação ao número de registros. De acordo com a Classificação de Atividades Econômicas (CNAE), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a divisão de produtos químicos compõe-se de nove grupos, dentre os quais o farmacêutico, de alta intensidade tecnológica. Esse setor, que detinha apenas 35 registros no INPI entre o período de 1996-2005, contabiliza 110 depósitos de patentes (ou 32% do total da divisão) entre 2003 e 2005 e se sobressai frente aos demais setores de menor intensidade tecnológica, favorecendo a escalada dos produtos químicos.

Já na divisão de máquinas e equipamentos, que se mantém na liderança em quantidade de registros e depósitos de patentes, constata-se uma movimentação entre os grupos quando comparados registros e depósitos. Os fabricantes de eletrodomésticos ainda concentram a maior quantidade de registros da divisão, participando com 238 ou 28% do total, mas o número maior de depósitos pertence ao grupo de máquinas para agricultura, com 313 (ou 35% do total da divisão), que detinha, entre 1996 e 2005, somente 15% (ou 128) dos registros da divisão.

O Indicador de Patentes (IP) da segunda edição do IBI

O IP é um dos indicadores de resultado que compõem o IBI e já foi apresentado na edição de janeiro/fevereiro de 2007  da revista Inovação. O IP permite analisar melhor o resultado do esforço inovador, pois além de ser uma combinação dos produtos de uma década, permite balizar os diferentes tamanhos dos setores e comparar o desempenho de cada um deles com a média da indústria. Vale lembrar que o IP deriva da combinação de dois subindicadores: (i) o Indicador de Patente Concedida (IPC), formado pela divisão do número de patentes concedidas entre 1995 e 2006, pelo total de empregados da empresa e o (ii) Indicador de Patente Depositada (IPD), resultante da divisão do número de patentes depositadas entre 2003 e 2005 também pelo número de empregados da empresa. O IP de cada empresa é dividido pela média do setor ao qual ela pertence para normalizá-lo. Aqui, os setores foram divididos pela média da indústria, observando que os setores com os maiores IPs não necessariamente detêm o maior número de registros e depósitos de patentes, como pode ser visto na tabela acima.

Indicador de Patentes (IP)
Ord
Setor
CNAE
IP
1
Máquinas e equipamentos 29
4,11
2
Refino de petróleo e álcool 23
3,16
3
Instrumentação e automação 33
3,00
4
Borracha e plástico 25
2,00
5
Metalurgia básica 27
1,92
6
Indústrias extrativas 10
1,62
7
Máquinas, aparelhos e materiais elétricos 31
1,59
8
Máquinas para escritório e equipamentos de informática 30
1,55
9
Produtos de metal 28
1,54
10
Eletrônica e equipamentos para telecomunicações 32
1,41
Fonte: Elaboração própria equipe IBI.

O setor de instrumentação e automação, em décimo lugar em número de depósitos, obtém o terceiro maior IP. Todavia, ainda continua sendo o único setor de alta intensidade tecnológica entre os 10 maiores IPs da indústria. Além disso, os setores de baixa intensidade tecnológica passam a somar três: metalurgia básica, produtos de metal e indústrias extrativas. Essas últimas não estiveram presentes na primeira edição do IBI, mas poderão participar da segunda.

Por fim, cabe ressaltar que em relação à primeira edição do Índice, há algumas mudanças expressivas do IP. O setor de refino de petróleo e álcool — que em quase a totalidade das patentes pertence à Petrobras — tinha um indicador de 1,71 e a quarta posição, passa para a segunda posição, com 3,16. Já o setor de máquinas para escritório e equipamentos de informática, que tinha o terceiro maior IP ( 2,33) da primeira edição do IBI, caiu cinco posições na atual. Por outro lado, o setor de eletrônica e comunicações que não apareceu entre os 10 maiores IPs na primeira edição do IBI — ficou na décima-segunda posição com um IP de 0,92, abaixo da média da indústria — agora se classifica com um IP de 1,41,  acima da média da indústria. Por fim, o setor de veículos, reboques e carrocerias, que estava na nona posição na primeira edição do Índice, com um IP de 1,44, foi para a décima-quarta com um IP de 1,09, muito próximo a média da indústria.

André Furtado e Edilaine Camillo são pesquisadores do Departamento de Política Científica e Tecnológica, do Instituto de Geociências da Unicamp.

Notas Bibliográficas

1) Artigo “Os setores que mais patenteiam no Brasil por divisão CNAE”,  revista Inovação, Ano 3 – Número 1 / Janeiro e Fevereiro de 2007, pg. 26-27
 

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Revista Conhecimento & Inovação
ISSN 1984-4395

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