Outubro / novembro / dezembro de 2008
  • NOTAS INOVAÇÃO
  • De olho na Lei de Inovação

Sonia Tuccori, gerente de pesquisa e tecnologia, gestão de parcerias e inovação tecnológica da Natura e Luiz Ricardo Marinello, gerente jurídico de apoio à inovação.

Quando a Lei de Inovação foi criada, a Natura já tinha optado por uma estratégia de avançar no modelo de parceria com instituições de pesquisa para novos desenvolvimentos tecnológicos. Criamos uma área dedicada a isso e estávamos elaborando uma política para formalizar as parcerias, para contemplar as questões de propriedade intelectual, sigilo, remuneração de benefícios, formas de contratação etc. Nesse sentido, a Lei teve um papel importante ao se tornar um facilitador para o processo que ocorria na Natura, além de dar um amparo legal para o relacionamento universidade-empresa. A Lei trouxe mais clareza sobre a forma correta de compartilhar infra-estrutura, recursos humanos e os benefícios que advêm disso.

Vemos, ainda, positivamente, a possibilidade de o pesquisador ter ganhos de 5% sobre o licenciamento da tecnologia. Isto desperta nele o desejo de fazer parcerias. E essa possibilidade de pessoas da universidade poderem trabalhar legalmente em cooperação com pesquisadores do ambiente empresarial tem o potencial de formar profissionais diferentes dentro da universidade. Para a empresa é uma maneira de se manter sintonizada com as pesquisas de ponta. A Lei, entretanto, não teve nenhum impacto na Natura no número de contratações de doutores, pois esta já era uma estratégia de desenvolvimento tecnológico da empresa.

Outro ponto muito importante para a Natura foi a criação dos Núcleos de Inovação Tecnológica, que passaram a ser um interlocutor com quem pudemos falar, negociar e formalizar parcerias. Antes isto era feito de forma dispersa dentro da instituição de pesquisa.

Finalmente, consideramos que algumas regras continuam ainda muito duras e com alta complexidade de aplicação pelas empresas, por exemplo, a exigência de chamada pública de interessados para licenciar uma tecnologia é um ponto difícil de conciliar com a intenção de uso estratégico pelas empresas que, na maior parte das vezes, exige sigilo”.

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Revista Conhecimento & Inovação
ISSN 1984-4395

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