Novembro / dezembro de 2007
  • CAPA
  • A TV digital que vem aí
  • Desafios são muitos: marco regulatório, modernização tecnológica, produção de conteúdo, interatividade e conquista do telespectador
  • por Gabriela Di Giulio
Pesquisadores trabalham no projeto de implantação do sistema de
TV digital em laboratório do CPqD
Foto: Divulgação / CPqD


Imagem com alta definição e áudio de melhor qualidade. É com essa expectativa que a TV digital chega ao Brasil a partir de 2 de dezembro, inicialmente apenas para quem mora na cidade de São Paulo. Para quem reside em outras cidades brasileiras, esse prazo deve se estender entre 2009 e 2013. A nova tecnologia de transmissão de sinais deve permitir entregar ao telespectador uma imagem sem fantasmas ou chuviscos, com um som comparável ao de um CD. Essa tecnologia digital exige como principal equipamento de recepção o conversor, também chamado de set-top-box , que capta o sinal digital, faz a seleção dos canais e o converte para televisores convencionais, compatíveis com a TV analógica atual. Há, porém, a possibilidade de o usuário adquirir um novo televisor com o conversor já embutido — idéia que deverá agradar, principalmente, aos fanáticos por tecnologia. Estes devem estar avisados que a TV digital não chega com todos os seus potenciais atrativos: de imediato, dificilmente contará com sua maior vantagem — a interatividade — principal diferencial da TV digital em relação à analógica.

A implantação desse novo sistema digital de TV não é unanimidade. "Com pouca tecnologia, restrição à multiprogramação e sem interatividade, será a mesma TV analógica que conhecemos hoje", diz Gustavo Gindré, membro do comitê gestor de internet e da ONG Coletivo Intervozes. Gindré critica as mudanças prometidas que, no entanto, não têm prazo para acontecer. "Seriam em três escalas: questão tecnológica, com padrão novo de transmissão; multiplicação de emissoras; e interatividade. Em nenhuma delas, porém, o Brasil tem conseguido sucesso." No caso da interatividade, exemplifica Gindré, o alto custo do conversor — estimado entre R$ 700 e R$ 800 — será um entrave para as pessoas de menor renda. "A TV digital poderia ser o começo do fim da televisão, já que assume elementos que eram exclusivos da internet. Só que o set-top-box vai custar caro, e o telespectador ainda precisa de um terminal para ter interatividade, com modem e saída de banda larga. Quem pode pagar por isso, já tem internet de banda larga em casa", critica.

Apesar de começar em dezembro, a nova tecnologia terá muitos desafios pela frente. Por isso mesmo, as estimativas apontam que os próximos dois anos serão de experimentação e que o grande ano da TV digital será 2010, quando ela estará massificada. O ano não foi pensado à toa: "em 2010 teremos carnaval, Copa do Mundo e eleições presidenciais", lembra Tadao Takahashi, presidente do conselho de administração da TVE-Brasil e um dos responsáveis pela implantação da internet no Brasil.

Para cumprir o compromisso de fornecer ao mercado os equipamentos necessários para a era digital, os fabricantes de televisão têm investido pesado. O governo fixou um prazo de implantação e, para cumpri-lo, os fabricantes de televisores tiveram, após a definição das especificações, apenas seis meses para desenvolverem e lançarem seus produtos. Prazo extremamente curto, na opinião do setor, que esperava ter pelo menos 15 meses para aprontar seus produtos. O presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), Lourival Kiçula, garante que a disposição é atender as metas estabelecidas e oferecer "a melhor TV digital do mundo". "É preciso uma sincronização de intenções e ações de todos os envolvidos na TV digital", destaca Carlos Ferraz, pesquisador do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco e diretor do Centro de Estudos e Sistemas Avançados de Recife (Cesar). Na prática, isso significa que emissoras, fabricantes de equipamentos e produtores de softwares precisam caminhar juntos para que, mais do que uma imagem melhor com um som de qualidade, a TV digital seja interativa.

Mercado incentivado

Emissoras, receptores de TV, fabricantes de conversores, de transmissores e de hardware e aqueles que desenvolvem software (os aplicativos) constituem um mercado que será altamente estimulado nos próximos anos. As estimativas variam. Para o diretor do CPqD, em relação à transmissão, as emissoras terão de investir cerca de R$ 3,5 bilhões para conseguirem uma cobertura 100% do Brasil. Já o mercado de conversores poderá girar em torno de R$ 13 a 18 bilhões.

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Revista Conhecimento & Inovação
ISSN 1984-4395

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