Novembro / dezembro de 2007
  • ARTIGO
  • Inovação na telecomunicação: a convergência de serviços
  • Luiz Sérgio Dutra
Foto: Arquivo pessoal


Associados com razão à inovação, serviços de telecomunicação passaram por enormes transformações ao longo dos tempos. Poucos produtos são tão onipresentes e causam tanto impacto, a ponto da inclusão digital ser um tópico considerado condição sine qua non para a competição e sobrevivência no cenário atual, seja como indivíduo, seja como empresa.

Por outro lado, igualmente importante é a lista de promessas de produtos de "última geração" que substituiriam as "velhas tecnologias" mas que, por variados motivos, não chegam a materializar-se em serviços. Apesar disso, cada novo lançamento tenta se apropriar de rótulos como "estado da arte da tecnologia", entre outros auto-elogios. Hoje, a maior dessas promessas diz respeito à "convergência de serviços" que permitiria a comunicação em qualquer lugar, em qualquer tempo, com quaisquer terminais.

A pergunta básica que pretendo discutir neste artigo é porque os serviços continuam, em sua essência, como estão hoje, apesar de, pelo menos em teoria, existirem as tecnologias necessárias para a convergência e o assunto estar em discussão há anos? De fato, empresas e indivíduos ainda mantêm seus números de telefonia fixa e telefonia celular, os serviços de TV aberta e assinatura, fax, Skipe, entre outros. A resposta se encontra, a meu ver, em dois fatores que são tão importantes quanto novas tecnologias na criação de inovações: os modelos de negócio adotados pelas empresas de telecom e o sistema regulatório.

Há fortes razões para que serviços de telecomunicação terem se desenvolvido como silos estanques, centrados na sua própria tecnologia. No cenário tecnológico existente no nascimento dessas empresas, não havia nenhuma possibilidade de se utilizar a rede de telefonia fixa para, por exemplo, rádio-novelas. Em conseqüência, os modelos de negócio fundiram serviços com redes físicas: empresas de televisão produzem conteúdo, mas também são as proprietárias das antenas de difusão e, não menos importante, das faixas de freqüência utilizadas. Se por um lado, se compreende como as empresas chegaram nessa posição, não há suporte tecnológico para explicar os modelos de negócio completamente verticais adotados por muitas delas. É notório o caso da AT&T, monopolista de fato da telefonia fixa nos Estados Unidos por décadas, e que implementou uma política que proibia a conexão de terminais que não fossem produzidos por ela mesma. Muitas inovações de terceiros deixaram de ser lançadas até que o governo americano forçou a companhia a alterar essa posição. Caso semelhante ainda acontece com operadoras de telefonia móvel que restringem a conexão à rede de celulares exclusivamente comercializados por ela mesma, além de barrar funcionalidades que não estão alinhadas com seus interesses. Por exemplo, uma rede americana desabilita a funcionalidade Wi-Fi dos celulares porque essa facilidade interfere com seu serviço de distribuição de músicas.

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Revista Conhecimento & Inovação
ISSN 1984-4395

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