Julho / agosto de 2007
  • CAPA
  • Investimento em logística aumenta competitividade do país
  • Inovação já disponível não chega a se concretizar: faltam ações e políticas efetivas para planejar a demanda futura por recursos hídricos
  • Por Michela de Paulo
Navio na área portuária de Ponta da Madeira, São Luís
(foto: Centro Tecn. Hidráulica)

O porto de Santos movimentou, nos três primeiros meses do ano, 18.420.061 toneladas de cargas diversas, incluindo granéis líquidos e sólidos. As exportações participaram de 65% no total operado, registrando aumento de 13,42%, em relação ao primeiro trimestre de 2006, especialmente para produtos como açúcar, diesel, gasóleo e álcool. Já as importações, apesar de participação mais reduzida (35%), tiveram aumento de 26,97% no período, com ênfase para a movimentação de carvão, adubo e gás liquefeito de petróleo (GLP). O crescimento reflete alta nos fluxos de descarga e embarque, segundo a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp).

O intenso fluxo de cargas no porto de Santos revela que a distribuição de mercadorias de forma eficiente e econômica exige um elevado nível de serviços nas operações e preços alinhados com o mercado internacional. Organizar o transporte dessa carga nos diferentes modais existentes, atendendo aos prazos e garantindo a integridade dos produtos é a grande preocupação dos responsáveis pela logística dos transportes no país, que sabem da necessidade de uma gestão inteligente para o setor.

Nesse sentido, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC-Transporte) deve trazer algum alento, uma vez que prevê investimentos, até 2010, de R$ 33,437 bilhões em rodovias, R$ 7,863 bilhões em ferrovias e R$ 734 milhões em hidrovias. Esses investimentos devem contribuir para a melhoria da infra-estrutura logística de todo o país, também chamada de macrologística, otimizando a distribuição e o transporte de mercadorias interna e externamente.

Para o consultor em logística e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Darli Rodrigues Vieira, é necessário viabilizar uma responsabilidade compartilhada entre governo e empresas com relação aos investimentos em logística no país. “O Estado deve cuidar da macrologística, reduzir tributos, regulamentar as atividades do setor e investir pesado na formação de especialistas nas universidades. Feito isto de forma adequada, os investimentos privados no setor poderão atingir volumes e freqüência muito superiores aos realizados atualmente e, desta forma, conseguiremos consolidar o necessário diferencial competitivo do país”. 

Por outro lado, a estrutura logística empresarial depende de investimentos constantes em inovações que visem a redução dos custos e o aumento da competitividade. “Dispor de determinadas soluções logísticas é determinante para a efetivação de negócios de forma inteligente, pois isto garante o nível de serviço exigido pelo cliente e permite uma precificação mais próxima do valor agregado na operação”, explica Vieira.

O desenvolvimento de inovações em logística está voltado para a modernização dos portos, a movimentação dos contêineres, pátios de armazenagem, sistemas de rastreabilidade da carga, softwares integrados de gestão, que monitoram cada etapa do transporte, incluindo o gasto de combustível. Há também as inovações dos veículos, como as carretas que se adaptam tanto ao modal rodoviário quanto ao ferroviário, além dos vários tipos de implementos tecnológicos.

A rastreabilidade, por exemplo, passou a ser uma necessidade e não mais um diferencial, devido à grande quantidade de roubos de cargas no país. Mas a novidade que o mercado oferece é a possibilidade de acompanhar o rastreamento via satélite, internet ou celular. Além disso, existem sistemas inteligentes para o gerenciamento das operações de transporte de cargas, nos quais tanto o embarcador (indústria) como o transportador podem monitorar e visualizar o trajeto do produto. Essa tecnologia é composta de softwares com módulos integrados que funcionam em uma base de dados centralizada e integram os sistemas das diferentes empresas. Desta forma, ambos acompanharão, em tempo real, o tempo de viagem, de coleta e entrega, de espera da frota, os custos de combustível, de manutenção dos pneus, entre outros.

“A inovação tecnológica é uma agregação de tecnologias e o diferencial é que essa junção pode ser capitalizada” afirmou o líder de negócios da Atech Tecnologias Críticas, Elbson Quadros, durante palestra ministrada no “4º Seminário Internacional de Logística Agroindustrial” realizado no primeiro semestre deste ano, na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP).

A otimização da tecnologia da informação também envolve a confecção de softwares para a gestão de fretes, onde o embarcador seleciona a transportadora ideal, de acordo com o perfil da carga. O controle dos fretes, aliás, oferece melhores condições operacionais aos motoristas autônomos e às empresas de transporte, tais como diminuir o tráfego de caminhões vazios e os danos causados ao pavimento, devido ao excesso de peso dos caminhões, a possibilidade de frete de retorno, entre outros.

As universidades também vêm se empenhando em oferecer novas soluções com relação à tecnologia da informação aplicada à logística. Muitos grupos de pesquisa especializados no setor elaboram relatórios, muitas vezes gerados a partir de softwares criados para esse fim, sobre as principais características da armazenagem de cargas no país. Esses relatórios informam preços de fretes e desenvolvem mapas temáticos relacionados ao ambiente logístico. A maioria desses estudos é feita em parceria com empresas e focados em suas necessidades.

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Revista Conhecimento & Inovação
ISSN 1984-4395

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